Brasília - Quando Palmira foi demitida do emprego de caixa de banco não se abalou. Percebeu que em seu bairro moravam vários catadores de lixo, mas não havia na região nenhuma empresa para comprar, separar e revender os materiais. Então Palmira decidiu investir o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na criação de uma empresa de reciclagem. O empreendimento deu certo e logo vai melhorar com a esteira elétrica que ela pretende comprar para facilitar a separação dos produtos recicláveis.
A história ilustra a primeira lição do modelo pedagógico inovador para a educação de jovens e adultos, criado pelo Serviço Social da Indústria (SESI) e a EDAcom Tecnologia. A empresa é representante exclusiva da Divisão Educacional do Grupo Lego no Brasil.
"A situação vivida por Palmira contém noções de empreendedorismo, resgate de oportunidades e orientações básicas para abrir o próprio negócio. Os personagens são adultos vivendo situações reais”, afirma Marcos Antonio Gonçalves, assessor pedagógico da EDAcom. Além do livro com histórias e exercícios, os alunos usarão peças de Lego para montar uma esteira elétrica miniatura, similar à citada na história. Dessa forma, verão como funcionam os mecanismos que compõe máquinas comuns no meio industrial, aprendendo noções de mecânica, física e engenharia.
“Com essa interação entre teoria e prática o aluno percebe mais facilmente o que o professor ensina. A possibilidade de montar e ver os mecanismos funcionando dá mais condições de assimilação”, afirma a analista de Negócios Sociais do SESI, Gisa Siqueira, que participou da elaboração da metodologia.
A utilização do Lego nas escolas do SESI não é novidade. As unidades da Bahia e de Santa Catarina fizeram experiências utilizando a metodologia nas escolas de ensino fundamental, para crianças de 1ª a 4ª série. A grande novidade é a utilização desse método no ensino de jovens e adultos. O objetivo do convênio é atender 20 mil alunos nos 27 regionais do SESI. Desses, 15 mil são do ensino para jovens e adultos e 5 mil crianças do ensino fundamental.
UNIÃO DE CONHECIMENTOS - De acordo com Gisa, a idéia de utilizar a metodologia de ensino baseada no trabalho com as peças de Lego no ensino de jovens e adultos partiu do SESI. “Percebemos que essa metodologia poderia ser aplicada ao ensino de jovens e adultos. Então juntamos o conhecimento da EDAcom em educação fundamental para crianças com o conhecimento do SESI no ensino de jovens e adultos. Foi uma troca muito interessante”, afirma a analista.
O resultado é um material composto por três apostilas que totalizam 952 páginas de um curso de um ano e meio de duração, com aulas de duas horas. Além das apostilas, cada grupo de quatro alunos terá uma maleta com peças de Lego para montar os projetos propostos em aula. O material foi todo elaborado no prazo recorde de cinco meses, informa o assessor pedagógico da EDAcom, Hélio Antônio Franceschini.
Para ele, a experiência é inovadora. “No ensino para crianças o objetivo é dar uma iniciação tecnológica. No ensino de jovens e adultos, é necessário oferecer uma educação que facilite a iniciação profissional”, afirma o consultor. Franceschini destaca que o projeto segue quatro eixos estabelecidos pelo SESI, que são empreendedorismo, sustentabilidade, responsabilidade social e criatividade para inovação.
Os coordenadores do SESI que implantarão o projeto nos estados receberão treinamento nesta semana em Brasília. O curso, que começou na segunda-feira, 12 de março, e termina hoje, 16 de março, mostra como desenvolver competências, transmitir a aprendizagem e
treinar professores que vão darão as aulas utilizando a nova metodologia.
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